Ciclistas enfrentam problemas no 1º dia de ciclofaixa permanente em SP

Ciclistas que tentaram utilizar a nova ciclofaixa permanente implantada em ruas de Moema, na Zona Sul de São Paulo, enfrentaram problemas na manhã deste sábado (5), quando a rota começou a funcionar. Carros que não sabiam do que se tratava a faixa vermelha pintada no chão estacionaram sobre a via de bicicletas, impedindo a passagem dos ciclistas.

Muitos motoristas realmente não sabiam da inauguração da ciclofaixa. A sinalização em alguns pontos também não auxiliava na orientação. “Eu estou seguindo o horário da placa. Então eles têm que trocar a placa. Eles estão atrasados, não eu”, disse o motorista de caminhão Flávio Adauto.

Outro problema ocorrido foi na área reservada para o estacionamento de veículos. As vagas de estacionamento passaram a ficar ao lado da ciclofaixa – que fica ao lado da calçada. Em alguns pontos, a impressão é de que os veículos estacionados regularmente estão parados no meio da rua.

A novidade também gerou polêmica entre os moradores do bairro. “O fluxo de bicicletas aqui é de entrega de água, de pão. Não se vê ciclista, e leva nada a lugar nenhum”, disse o morador Ricardo Barreira. A opinião dos ciclistas, entretanto, é diferente. “As pessoas têm que conhecer as regras para poder seguir. Eu acho que daqui uns dias isso aqui vai estar cheio de gente emagrecendo”, afirmou o engenheiro José Dário.

A via exclusiva para as bicicletas tem 3,3 km e segue ao longo das avenidas Iraí, Pavão, Rouxinol e Aratãs, além da Rua Araguari. Em muitos trechos, a inclinação da via faz com que se acumule sobre a faixa especial água e areia. Em outros pontos o asfalto está rachado, dificultando a passagem dos ciclistas. Até uma caçamba de entulho foi encontrada no caminho.

Outros problemas
O consultor de trânsito e transportes do SPTV, Sérgio Ejzenberg, circulou pelas vias onde a ciclofaixa permanente foi implantada e também apontou problemas. “Não dá para acreditar que é no meio da rua que a pessoa vai estacionar. Mas é o que está sinalizado. Ao você colocar os carros nos cruzamentos afastados da guia, no meio da rua, vai prejudicar as conversões de veículos pesados, a fluidez do trânsito, e vai deixar os próprios pedestres um pouco perdidos”, disse ele sobre as vagas de Zona Azul.

A saída dos motoristas dos carros também pode gerar problemas – ao abrir a porta, eles podem atingir um ciclista que passa pela ciclofaixa. “Para o motorista, vai ser muito difícil saber o que está acontecendo. Tanto que tem um monte de placas aí dizendo ‘cuidado ao abrir a porta’. Isso não traz segurança, isso traz confusão”, afirmou.

Também começou a funcionar em Moema neste sábado a rota de bicicletas. Ela tem 6,5 km e em alguns pontos cruza com a ciclofaixa. A indicação para os motoristas e ciclistas é apenas uma bicicleta pintada no asfalto. Ejzenberg também aponta falhas na sinalização dos cruzamentos dessas vias.

“Mostra a ciclofaixa, mas não mostra o sentido dela. Você estimular o uso da bicicleta é correta, você criar espaços para ela, sempre que possível, melhor ainda. Agora com segurança, com atenção, com cuidado, ouvindo os moradores, ouvindo todos os interessados”, afirmou.

CET
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o modelo da ciclofaixa foi estudado e baseado nos existentes em cidades de outros países, como Londres, na Inglaterra, e Paris, na França. A companhia também afirmou que a ciclofaixa ainda está em fase de testes.

A caçamba que foi encontrada na via foi retirada na manhã deste sábado – entretanto, o local onde ela estava não foi pintado. A CET afirmou que a área será pintada e reparada.

“Nós vamos fazer uma análise geral de tudo o que está acontecendo, as dificuldades, os riscos, vamos fazer entrevistas com pessoas, e daí vamos ou manter ou retirar. Vamos avaliar tudo isso ao longo do tempo”, disse Daphne Savoy, gerente de planejamento da CET.

Veja o vídeo sobre a matéria clicando no aqui

Fonte: G1 SP, 4 de novembro 2011

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