Bicicletas feitas de lixo

Feitas com garrafas PET recicladas, as Muzzycicles são bom exemplo de criação sustentável

 

Divulgação

A bicicleta é o mais poético dos meios de transporte, aquele que não libera gases poluentes na atmosfera e ainda melhora o condicionamento físico das pessoas.  Mas apesar de existir desde 1817 e de ter sofrido significativas mudanças no formato e no peso (ainda bem!), a produção da bicicleta ainda envolve metais pesados e processos que agridem a natureza. Indignado com essa situação, o artista plástico Juan Carlos Muzzi, apaixonado pelo veículo, dedicou 14 anos de sua vida pesquisando um jeito diferente de produzir bicicletas.

A realização veio depois de visitar uma fábrica de bicicletas, em 1998. “Estamos no século 21 e as pessoas ainda usam minério de ferro, alumínio e bauxita, com muita mão de obra e poluição para produzir esse veículo”, lamenta. A solução encontrada resolve dois problemas: retira da natureza um elemento poluidor e fabrica um veículo ecologicamente correto, feito de garrafa PET.

Juan chamou as bicicletas ecológicas de Muzzicycles. “O meu sonho é fazer um veículo social. Produzir com o excesso dos que consomem um meio de transporte para os que não consomem”, explica. O que começou como uma utopia vista com pouca credibilidade por investidores, agora é realidade. Os quadros das Muzzicycles são produzidos com uma resina resistente, que provém basicamente de sucata de resíduos sólidos pós-industriais e pós-consumo. A fabricação do quadro é feita a partir de um molde no qual se injeta a resina, já com a cor desejada, o que elimina o processo industrial e dispensa pintura. De acordo com Juan, isso reduz em 96% o consumo de energia na fabricação do veículo. O peso de um quadro varia de 4 a 6Kg.

Com o projeto fora do papel, Juan quer produzir a bicicleta em grande escola para diminuir o seu custo final. “Acredito que se isso acontecer, as bicicletas ecológicas vão custar por volta de R$ 50, o que a torna muito mais acessível que as demais”, conta.

“Eu vivo do sonho, da utopia”

Divulgação

Juan Carlos Muzzi tem 63 anos, é uruguaio e vive no Brasil desde 1970. Dizer que ele é artista plástico, empresário, designer ou inventor é, na verdade, constatar que se trata de um sujeito que esbanja criatividade. Talvez você não saiba, mas se viveu parte da infância nos anos 90, Muzzi te proporcionou inesquecíveis momentos de diversão.

Juan produzia brinquedos feitos com material reciclado e foi o criador oficial das molas coloridas que fizeram sucesso mundialmente (aquelas que fizeram sucesso nos anos 90 e eram um pesadelo na hora de desenrolar). Ele conta que a ideia das molas veio, na verdade, a partir de outro sucesso de sua autoria: os óculos de brinquedo com olhos que saltam para fora.  Nas feiras de exposição que participava, as pessoas pediam que ele levasse os óculos para distribuir como brinde e Muzzi percebeu que o êxito dos óculos estava diretamente ligado às molas que prendiam os falsos olhos. E resolveu, para alegria geral das crianças, criar somente a mola, com arcos maiores e muito mais esticáveis. “Essa mola me levou a conhecer 28 países e conversar com crianças do mundo inteiro. Foi, sem dúvida, o maior sucesso da minha vida, até agora”, conta satisfeito.

A ideia das Muzzicycles veio da vontade de criar quando a febre das bicicletas passou. Depois de sete tentativas, em 2000 ele fez o requerimento da primeira patente que anunciava um veículo feito com PET.  Por falta de recursos, parou duas vezes o andamento do projeto e só em 2007 conseguiu chegar ao primeiro modelo de quadro. O molde ficou pronto em 2008 e no ano seguinte já operava a nível comercial, totalizando patentes em 144 países, sendo o Brasil o único que pode produzir as ecobikes. Com mais um sucesso, ele adianta que deve lançar um filme contando a sua história de amor com bicicletas. “Eu vivo do sonho, da utopia. E acho que a gente fica meio viciado em sonhar”, diz.

Em números

São 15.840.600 garrafas PET recicladas que se transformam em 132 mil quadros de bicicleta. Isso economiza 980.732Kg de petróleo e deixa de despejar 2.738.227 Kg de CO2 em material incinerado.

 

FONTE: http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_13/2012/07/12/ficha_ragga_noticia/id_sessao=13&id_noticia=55445/ficha_ragga_noticia.shtml

2 comentários sobre “Bicicletas feitas de lixo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s