Maior bicicletário guarda 1,3 mil magrelas

Rubens dos Reis deixa sempre a bicicleta na Ascobike. (Foto: Rodrigo Lima)

O uso da bicicleta como meio de transporte ganha cada vez mais adeptos. O exemplo está no maior bicicletário da América Latina, em Mauá. O espaço começou a funcionar em 2001 e hoje recebe cerca de 1,3 mil bicicletas por dia, mas já abrigou 1,7 mil diariamente. Isso foi ano passado, quando a avenida Barão de Mauá, onde fica o estacionamento, ganhou mais uma faixa, e parte dos usuários resolveu abrir mão da magrela com medo de atropelamento.

A abertura do local tem história curiosa. No começo dos anos 2000, Adilson Alcântara trabalhava na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), em Mauá, época em que aumentava o número de ciclistas que prendiam as bikes nas grades da estação para seguir viagem de trem. "Era com dor no coração que tinha que tirá-las de lá, precisava fazer alguma coisa para mudar aquela rotina", destaca Alcântara, que pediu à Companhia um terreno ao lado da estação para abrigar as bicicletas, a título de empréstimo. Era 2001 e começava ali a Ascobike (Associação dos Condutores de Bicicleta).

Hoje a associação funciona 24 horas e atende dois tipos de cliente. Um é o associado que paga uma taxa mensal de R$ 20, que dá direito a um gancho para guardar a magrela e seguro. A Ascobike oferece, ainda, oficina mecânica, 12 bicicletas reservas para suporte aos associados e até café e pão gratuitos, todos os dias. "Eu comecei, mas nunca imaginei que ia virar isso, algo tão grande como está", revela Alcântara, presidente e fundador da associação, que possui entre os cerca de 1,3 mil ciclistas, no máximo 60 mulheres.

Brechó da Bike

No bicicletário, o usuário também pode pagar de forma avulsa. Basta desembolsar R$ 2 pelo dia e ficar seguro com a bicicleta. O local ainda conta com o Brechó da Bike, que reutiliza as peças em bom estado, alternativa para o ciclista que quebra um pedal, por exemplo.

Os congestionamentos, a qualidade do transporte coletivo e o ganho na saúde estimulam para o enxame de ciclistas que guardam a magrela todos os dias no local. Marcelo Nascimento é professor e utiliza o Ascobike há dois anos. "Venho resolver algumas coisas no Centro e de bike é bem melhor", destaca. Apesar do carro na garagem, o ciclista não vê problemas de trafegar de bicicleta. "Antes usava até skate. De bike, além de economizar, minha saúde agradece", relata.

Gersenildo Santos é segurança e, também, associado há oito anos. Como o vale transporte garante apenas uma condução, Santos completa o trajeto na magrela. "Gasto 15 minutos de bike, de ônibus quase o mesmo tempo, não compensa pegar ônibus", diz. Mas Santos já quase foi atropelado. "Além do motorista não respeitar, a Prefeitura não ajuda o ciclista, não temos ciclovias e nada beneficia a gente", reclama.

Segurança

Ajudante geral e morador de Ribeirão Pires, Claudemir Moreno raramente deixa a bicicleta no Ascobike. A bicicleta é apenas para passear. Para o trabalho vai de carro, pois acha menos perigoso. "Já sofri acidente, hoje ninguém respeita ninguém, mas compensa, pois pago apenas R$ 2 e deixo a bicicleta o dia todo", comenta.

Usuário há um ano da Ascobike, Rubens dos Reis, preparador de máquinas, mora em Mauá e trabalha em Diadema. Por não morar tão longe da associação e o trajeto não ter muitas subidas, Reis não larga a magrela. "Só tenho ela para me locomover, não podemos depender do transporte público, pois é um lixo", critica ao reclamar do mau cheiro do terminal. "Pela quantidade de pessoas que vivem em Mauá, ter um terminal imundo desse é um absurdo, fora que não tem suporte", acrescenta. O preparador de máquinas só utiliza outros meios de transporte em dias de chuva.

Fonte

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s